Citocinese

Este processo indica o fim da divisão celular, com a formação de duas células-filhas idênticas à célula-mãe. Saiba mais sobre a citocinese nesta página!

citocinese celula eucarioticaA citocinese é o processo pelo qual o citoplasma é clivado em dois. Normalmente começa na anáfase, mas não é finalizada até que os dois núcleos-filho sejam formados. Enquanto a mitose envolve uma estrutura transiente baseada em microtúbulos – o fuso mitótico – , a citocinese, nas células animais, envolve uma estrutura transiente baseada em filamentos de actina e miosina – o anel contrátil. No entanto, o plano de clivagem e o tempo de citocinese são determinados pelo fuso mitótico (ALBERTS, 2006, p.652).

 

FUSO MITÓTICO E O PLANO DE CLIVAGEM CITOPLASMÁTICA

O primeiro sinal visível da citocinese nas células animais é o enrugamento e a formação de um sulco na membrana plasmática que ocorre durante a anáfase. O sulco, invariavelmente, ocorre no plano perpendicular ao eixo mais longo do fuso mitótico. Esse posicionamento assegura que o sulco de clivagem seja cortado entre os dois conjuntos cromossômicos-filho segregados, de modo que cada célula-filha receba um conjunto idêntico completo de cromossomos. Se, logo após o aparecimento do sulco, o fuso mitótico é propositalmente deslocado (usando uma fina agulha inserida no interior da célula), o sulco desaparece e logo se forma um outro em uma posição correspondente à nova localização e à orientação do fuso. À medida que o processo de formação do sulco prossegue, ocorre a clivagem, mesmo que o fuso mitótico seja artificialmente retirado da célula ou despolimerizado com a droga colchicina. Ainda é um mistério como o fuso mitótico coordena a posição do sulco de clivagem (ALBERTS, 2006, p.652).

 

Quando o fuso mitótico está em uma posição central na célula (a situação mais comum da maioria das células em divisão), as duas células-filha produzidas serão de igual tamanho. Durante o desenvolvimento embrionário, entretanto, há algumas situações nas quais o fuso mitótico se posiciona assimetricamente e, consequentemente, o sulco cria duas células que diferem em tamanho. Na maioria dos casos, as células resultantes também deferem nas moléculas que herdam e, normalmente, se desenvolvem em diferentes tipos celulares. Mecanismos especiais são necessários para posicionar o fuso mitótico excentricamente em tais divisões assimétricas (ALBERTS, 2006, p.653).

 

O ANEL CONTRÁTIL DAS CÉLULAS ANIMAIS

O anel contrátil é composto, principalmente, de uma sobreposição de filamentos de actina e miosina. Ele se forma na anáfase e se liga às proteínas associadas à fase citoplasmática da membrana. Os mecanismos responsáveis pela coordenação temporal da formação do anel ainda não estão claros. Uma vez formado, o anel contrátil é capaz de exercer uma força intensa o suficiente para dobrar uma fina agulha de vidro inserida na célula antes da citocinese. A força é gerada pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os filamentos da miosina, como ocorre na contração muscular. Diferentemente do aparelho contrátil muscular, o anel contrátil é uma estrutura transitória. Eles começam a se formar, na citocinese ficam cada vez menores com o passar do tempo e desaparecem completamente assim que a célula é dividida em duas.

miosina anel contratil

Miosina é recrutada para a região do anel contrátil.

A divisão celular de muitas células animais é acompanhada por várias mudanças na forma e por um decréscimo na aderência da célula à matriz extracelular. Essas mudanças são decorrentes da reorganização dos filamentos de actina e miosina no córtex celular, sendo uma delas a formação do anel contrátil. Fibroblastos de mamíferos em cultura, por exemplo, espalham-se achatados durante a interfase, devido às intensas forças adesivas com a superfície de contato nas quais estão crescendo, denominada substrato. Entretanto, quando elas entram na fase M, as células tornam-se arredondadas, principalmente porque algumas proteínas da membrana plasmática, responsáveis pela ligação das células ao substrato, as integrinas, tornam-se fosforiladas e perdem sua capacidade de adesão. Uma vez finalizada a citocinese, as células-filha restabelecem seu contato com o substrato e achatam novamente. Quando as células dividem, nos tecidos animais, esse ciclo de adesão e dissociação provavelmente permite que as células rearranjem seus contatos com as células vizinhas e com a matriz extracelular, de modo que as novas células produzidas pela divisão celular possam se acomodar no tecido (ALBERTS, 2006, p.653).

 

Referências
ALBERTS, Bruce. Fundamentos da Biologia Celular. 2. Ed. Porto Alegre: ARTMED, 2006.